Os perigos do etnocentrismo


 

Explicando o que é o etnocentrismo e porquê tão perigoso para nossa sociedade.

O etnocentrismo é a visão preconceituosa e unilateral formada sobre outros povos, culturas, religiões e etnias.

Estamos no século XXI e todos os comportamentos etnocêntricos de séculos passados ainda são vistos nos dias de hoje, podemos ver em todos lugares racismo e xenofobia a todo momento.

Segundo Kalina Vanderlei Silva e Maciel Henrique Silva no livro Dicionário de Conceitos Históricos, o etnocentrismo nasce do contato entre culturas distintas causando estranhamento e medo.

Imagine um europeu católico a única religião conhecida, onde a monarquia é a principal forma de poder absoluto chegando na África e encontrando tribos que não conheciam o catolicismo e muito menos tinham uma corte cheia de reis, rainhas, princesas e príncipes.

Agora tente imaginar este mesmo europeu chegando as Américas e encontrando a mesma coisa em um povo totalmente diferente.

Que susto, não é? O branco chegou em um lugar com pessoas negras, a África, com um idioma que não era o seu, com sua forma de rir, comer, dançar, cultuar totalmente diferentes do conhecido, o branco chegou em um lugar, a América, onde tinham pessoas totalmente nuas e também com idioma, dança, comida, cultos diferentes dos seus.

O europeu pensou, temos que ensinar este povo a ser civilizado porque eles são selvagens, aos índios atribuíram a antropofagia e aos negros atribuíram a agressividade, houve muita luta entre esses povos para não perderem sua identidade, muitos morreram neste processo e acabaram rendidos, subjugados, escravizados alguns em seus próprios territórios e outros muitos vendidos para satisfazer a busca por poder de seus senhores.

Por causa do etnocentrismo chegamos à escravidão de inúmeros povos do passado, mudou culturas que acabaram esquecidas pela geração seguinte que já nasciam em outro contexto, levou líderes políticos a dizimar povos, obrigar pessoas a serem quem não eram, falar idiomas que não era o seu, como aconteceu aos súditos de Catarina II que tinham obrigatoriamente de falar russo, e anos mais tarde com os territórios invadidos pelos alemães de Hitler.

 Nos dias de hoje não vemos muita diferença, nações ainda tentam mudar a cultura do outro com ataques aos territórios, vemos pessoas se exaltarem porquê um país impôs regras aos seus visitantes durante um evento mundial, a globalização tirou de alguns países a identidade de ser único,e temos visto crescer o numero de casos de racismo por causa do etnocentrismo, se eu viajo para qualquer lugar do mundo encontrarei um fast food famoso, um shopping com marcas famosas para que eu não me esqueça de onde vim e assim não possa ter experiencias gastronômicas e históricas diferentes no país em que estou e, assim faz os cidadão deste lugar não se sentir mais pertencente a um povo de cultura única.

Como ocidentais temos uma herança ruim de ver a cultura do outro como exótica ou inferior e deixamos de aproveitar o que possa ter de bom a ser ensinado para nós, a melhor forma de mudar é entendendo que o etnocentrismo só trouxe e traz dor, que apagou histórias, que apagou memorias, muitos de nós nem podemos ter uma arvore genealógica por não saber de onde vieram nossos antepassados, é isto que o etnocentrismo faz.

O racismo tão evidente em nosso país faz parte desta herança que já passou da hora de deixarmos para trás, nós somos um só povo, com uma cultura diversificada tão linda, que diferença faz se somos brancos ou pretos? Que diferença faz se gostamos de mpb ou funk? Que diferença faz se gostamos de feijoada ou Petit gateau? Não faz diferença alguma quando entendemos que somos todos seres humanos que precisam ser respeitados e amados.

Lembre-se a cultura do outro é tão linda quanto a sua, e assim como você não gosta que falem mal do seu país, idioma, religião, gosto musical eles também não gostam!

                                                                                   

                                                                                 L.Martins

                                                                                 Historiadora

                                                                                  04/04/2022

 


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